O Universo, Deus e você


Do G1


Como entender a maior descoberta da ciência em décadas – e seu sentido para a compreensão do cosmo, a crença religiosa e a vida


PETER MOON E ALEXANDRE MANSUR


A maior descoberta científica dos últimos 40 anos é na verdade minúscula. É menor que um átomo de hidrogênio – e extremamente fugaz. Depois de quase meio século de buscas, apareceu e sumiu num instante tão curto que desafia a noção do tempo. Dentro da maior câmera fotográfica do mundo, o LHC, acelerador de partículas da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern), na fronteira entre Suíça e França, alguns dos maiores físicos contemporâneos só conseguiram extrair um traço probabilístico da existência dessa partícula misteriosa. Batizada pelos cientistas de bóson de Higgs, ela guarda o segredo para a existência da matéria. Conhecida como “partícula de Deus”, pode ser a chave para entender de onde viemos e para onde vamos. É o mais importante passo da humanidade para desvendar a maravilhosa mecânica do cosmo e como ele foi criado.
Capa Época 738 (Foto: divulgação) 
Nosso conhecimento sobre essa partícula é resultado de uma empreitada histórica. Dentro do LHC, 9 mil ímãs supercondutores gigantes operam 24 horas por dia, sete dias na semana, consumindo a energia usada por uma cidade de 100 mil habitantes. Os supercondutores aceleram dois feixes de energia formados por prótons, as partículas dos núcleos dos átomos. Tais feixes são acelerados em sentidos opostos até atingir 99,9999991% da velocidade da luz. A tal velocidade, os prótons completam 11 mil voltas por segundo no acelerador. É quando eles colidem de frente. Esmigalham-se, liberam quantidades prodigiosas de energia e acumulam uma montanha microscópica de escombros. São 32 milhões de colisões por segundo. A maioria dos detritos é formada por partículas conhecidas dos cientistas. De vez em quando, pipocam partículas nunca antes detectadas. É o caso do bóson de Higgs. A probabilidade para gerar um Higgs é uma a cada 100 bilhões de colisões. Com trilhões de trilhões de prótons circulando no acelerador, basta meia hora para, em tese, surgir um Higgs. Desde que o LHC foi inaugurado, em 2010, as equipes dos experimentos Atlas e CMS, que buscam evidências do bóson, analisaram 800 trilhões de colisões. Perdidos no meio dessa barafunda, os cientistas pinçaram apenas e tão somente dois eventos, dois vislumbres do fugidio bóson.
Quais as consequências da descoberta? A resposta a essa pergunta está na edição de ÉPOCA que chega às bancas e ao seu tablet (baixe o aplicativo) neste fim de semana. 


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