"Síria, Iémen e Iraque tornaram-se buracos negros de informação"

74 jornalistas morreram em 2016. Johann Birh, da RSF, defende mais intervenção da ONU para assegurar a protecção dos jornalistas em zonas de conflito: é “fundamental” continuar a divulgar notícias pelo mundo.
O número de jornalistas que morreram em serviço diminuiu em 2016, o que revela um sério agravamento dos conflitos em alguns territórios – há zonas de guerra onde os jornalistas já nem se atrevem a ir com o receio de serem mortos.
“A Síria, o Iémen e o Iraque transformaram-se em buracos negros de informação para onde os jornalistas não podem ir e acompanhar o que está a acontecer. Os conflitos têm sido tão perigosos, que estes tendem a evitá-los, criando um vácuo de informação”, observa à Renascença o responsável pela secção da Europa de Leste e Ásia Central dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Johann Birh.
Segundo o último relatório da RSF, pelo menos 74 jornalistas morreram em 2016 devido à sua profissão, o número mais baixo desde 2006.
O número caiu 27% face a 2015, ano em que 101 jornalistas perderam a vida. Dois terços morreram em países que vivem em conflito, como a Síria (19), Afeganistão (10), Iraque (sete) e Iémen (cinco).
Apelo à ONU
Johann Birh defende uma maior intervenção das Nações Unidas para assegurar a protecção dos jornalistas. A RSF pretende que a ONU nomeie um representante que possa intensificar as medidas de segurança junto dos profissionais.
“Ao longo dos últimos anos, várias resoluções tem sido tomadas pelas Nações Unidas, tanto pelo Conselho de Segurança, como pela Assembleia Geral, para tentar reforçar a protecção dos jornalistas. Estes princípios existem na lei internacional, mas ainda não estão implementados, não há verdadeiramente mecanismos eficientes para assegurar que estas decisões sejam aplicadas. Por esta razão, apelamos às Nações Unidas para nomear um representante especial para a protecção dos jornalistas.”
O perigo no México
No “top 5” dos países mais perigosos para os jornalistas surge o México, o único que não pertence ao continente asiático. Em 2016 morreram nove profissionais, e este é o único país que não está em guerra.
De acordo com a RSF, os cartéis de droga tentam dissuadir quem tente informar as suas actividades, recorrendo a sequestros e, em alguns casos, a assassinatos. Paralelamente verifica-se uma elevada corrupção das autoridades policiais e judiciais, que deixam estes casos passarem em vão.
“No México, os mecanismos de segurança estão presentes, mas não são suficientemente eficientes. Alguns jornalistas que deveriam estar sob protecção são mortos. As autoridades locais, especialmente em países federais como o México, têm a responsabilidade de combater o crime organizado, e por vezes, a corrupção está tão presente que os esforços para combater os cartéis de droga são comprometidos”, diz o responsável da RSF.
Para Johann Bihr, à medida que os conflitos se vão intensificando, cresce a importância da comunicação social para a divulgação dos mesmos. “É fundamental, mais do que nunca, os conflitos continuarem a ser acompanhados pelos jornalistas, e que as notícias continuem a ser divulgadas por todo o mundo.”
A guerra escondida do Iémen
O responsável dá o exemplo do Iémen, cuja guerra civil decorre desde 2015 e já vitimou mais de 10 mil pessoas, e que não tem tido tanta divulgação quanto a Síria. “Tem sido largamente ignorada apesar da quantidade de vítimas mortais que tem causado”, aponta.
“Isto acontece, em parte, devido às políticas agressivas direccionadas para com os jornalistas, quando estes são deliberadamente definidos como alvos para os envolvidos na guerra, o que complica a divulgação de notícias”, afirma.
Desde 2006, pelo menos 780 jornalistas morreram devido ao exercício da sua profissão, segundo os dados dos Repórteres Sem Fronteiras.

FONTE: http://rr.sapo.pt/

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