ESTUDO AFIRMA QUE EXISTE DESEJO BISSEXUAL


A revelação não surpreende os bissexuais, que há muito tempo afirmam que a atração muitas vezes não se limita a um único gênero. Mas, durante anos a fio, a questão da bissexualidade tem atormentado os cientistas. Em 2005, um estudo amplamente divulgado, também elaborado por pesquisadores da Northwestern, relatou que “sobre a excitação e a atração sexual, a existência da bissexualidade masculina permanece discutível”.
Numa espantosa retratação científica, pesquisadores da Universidade Northwestern encontraram evidências de que pelo menos alguns homens identificados como bissexuais são, de fato, atraídos tanto por homens quanto por mulheres.
Essa conclusão indignou homens e mulheres bissexuais, que disseram que ela parecia apoiar a ideia de que homens bissexuais seriam homossexuais enrustidos.
No novo estudo publicado online pela revista Biological Psychology, os pesquisadores adotaram um critério mais rigoroso para seleção dos seus participantes. Para melhorar as chances de encontrar homens sexualmente atraídos tanto por homens quanto por mulheres, os cientistas recrutaram voluntários a partir de espaços virtuais especialmente criados para bissexuais.
Eles também exigiram que os participantes possuíssem experiências sexuais passadas com pelo menos duas pessoas de cada sexo e uma relação amorosa de pelo menos três meses com ao menos uma pessoa de cada gênero.
Por outro lado, no estudo de 2005, os homens foram recrutados via anúncios em publicações gays e alternativas e passaram a ser identificados como heterossexuais, bissexuais ou homossexuais por meio de respostas a um questionário padrão.
Nos dois estudos, os participantes assistiram a vídeos íntimos de homens e mulheres mantendo relações com parceiros do mesmo sexo, enquanto sensores genitais monitoravam as respostas eréteis. Enquanto o primeiro estudo divulgou que os bissexuais normalmente assemelhavam-se aos homossexuais nas suas respostas, a nova pesquisa descobriu que os homens bissexuais reagiram da mesma maneira tanto para os vídeos entre homens quanto para os vídeos entre mulheres, ao contrário dos homossexuais e heterossexuais que participaram do estudo.
As duas pesquisas também descobriram que os bissexuais relataram excitação subjetiva pelos dois sexos, não obstante as suas respostas genitais.
“Um bissexual poderá dizer: 'sim, e daí?!”', conta Allen Rosenthal, estudante de doutorado na universidade e primeiro autor do estudo desenvolvido pela Northwestern. “Mas isso tornará válida a conduta de muitos bissexuais que ouviram falar sobre o estudo anterior e pensaram que os cientistas não os estavam compreendendo”. O estudo da Northwestern é o segundo publicado neste ano que relata um padrão distinto de excitação sexual entre homens bissexuais.
Em março, uma pesquisa feita publicada em Archives of Sexual Behavior relatou os resultados de uma abordagem diferente para o problema. Assim como no estudo da Northwestern, os pesquisadores mostraram aos participantes vídeos eróticos de parceiros do mesmo sexo e monitoraram tanto as respostas genitais quanto as respostas subjetivas. Mas eles também acrescentaram cenas de homens mantendo relações com mulheres e homens, seguindo a sugestão de que isso poderia agradar aos homens bissexuais.
Os pesquisadores – Jerome Cerny, professor aposentado de psicologia na Universidade do Estado de Indiana, e Erick Kanssen, cientista sênior no Instituto Kinsey – descobriram que os homens bissexuais eram mais suscetíveis de experimentar excitação genital e subjetiva enquanto assistiam aos vídeos do que os heteros ou os homossexuais.
A Dra. Lisa Diamond, professora de psicologia na Universidade de Utah e especialista em orientação sexual, disse que, tomados em conjunto, os dois novos estudos representam um passo significativo para demonstrar que os homens bissexuais possuem um padrão de excitação específico.
“Entrevistei vários pacientes sobre a frustração que eles sentem quando seus próprios familiares pensam que eles estão confusos, em negação ou passando por uma fase”, diz ela. “Essas linhas convergentes de evidência, utilizando-se de métodos e de estímulos diferentes, deram-nos a segurança científica para dizer que isto é algo verdadeiro”.
Os novos estudos são relativamente pequenos em tamanho, tornando-se difícil traçar generalizações, especialmente quando homens bissexuais estão se envolvendo em níveis oscilantes de atração sexual, romântica e emocional com parceiros de ambos os sexos. E, claro, os estudos não revelam absolutamente nada sobre padrões de excitação entre mulheres bissexuais. A pesquisa da Northwestern incluiu 100 homens, cuidadosamente classificados entre bissexuais, heterossexuais e homossexuais. A pesquisa publicada pela Archives of Sexual Behavior incluiu 59 participantes, entre os quais 13 bissexuais.
O novo estudo da Northwestern foi parcialmente financiado pelo Instituto Americano de Bissexualidade, grupo que promove a pesquisa e a educação sobre o tema.
Mesmo assim, defensores expressaram impressões diversas em relação à pesquisa. Jim Larsen, de 53 anos, diretor do Bisexual Organizing Project, grupo de apoio com sede em Minnesota, disse que as descobertas poderiam ajudar os bissexuais que ainda lutam para se aceitar.
“É maravilhoso que eles tenham afirmado que a bissexualidade existe”, diz ele. ``Dito isto, eles estão provando algo que nós da comunidade já sabemos.
É insultante. Acho lamentável que alguém duvide de um indivíduo que diga: 'Isso é o que eu sou e quem eu sou’''.
Ellyn Ruthstrom, presidente do Bisexual Resource Center em Boston, compartilha o desconforto de Larsen. “Infelizmente isso reduz a sexualidade e os relacionamentos ao simples estimulo sexual”, diz Ruthstrom. “Os pesquisadores querem enquadrar a atração bissexual em uma categoria. Para ser bissexual você precisa sentir-se igualmente atraído por homens e por mulheres. Isso é uma besteira. Eu amo o fato de que as pessoas encontram maneiras diferentes para expressar a sua bissexualidade”.
Apesar de seus elogios cautelosos à nova pesquisa, Diamond também notou que o tipo de excitação sexual testado durante os estudos é apenas um dos elementos para a orientação e para a identidade sexual. Ela acrescenta que a simples interpretação dos resultados sobre excitação sexual é complicada porque o monitoramento de respostas genitais a imagens eróticas em laboratório não pode replicar a verdadeira interação humana.
“A excitação sexual é algo bastante complexo”, ela explica. “Na vida cotidiana, o fenômeno real é extraordinariamente confuso e cheio de fatores”.

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