Eleição deve dar a Netanyahu coalizão reduzida e instável, indica boca de urna


JERUSALÉM - O Estado de S.Paulo

O governo de Binyamin Netanyahu foi pego de surpresa ontem pelo alto comparecimento israelense às urnas, em uma disputa bem mais apertada do que o previsto e com a centro-esquerda ganhando espaço. Pesquisas de boca de urna indicavam que a aliança Likud-Yisrael Beiteinu, liderada pelo primeiro-ministro, obteria 31 assentos - 11 a menos do que tem atualmente. Em seguida, vêm o centrista Yesh Atid, com 19, e os trabalhistas, com 17.
Juntos, os partidos do bloco da direita teriam 61 cadeiras - apenas 1 a mais do que o necessário para formar uma coalizão governista na Knesset (Assembleia). Resultados preliminares confirmavam as sondagens. Netanyahu poderá continuar no cargo de premiê, mas dependerá de uma base governista estreita e instável.
Horas antes do fechamento das urnas, o primeiro-ministro fez um apelo a seus partidários. "O governo do Likud está em perigo. Peço a você que pare agora o que estiver fazendo e vá votar. Isso é muito importante para garantir o futuro de Israel", exortou Netanyahu no Facebook. O aumento do comparecimento às urnas não teria atingido redutos do partido do premiê.
À noite, depois da divulgação dos resultados da boca de urna, Netanyahu fez um discurso de vitória no qual disse que vê "muitos sócios" para formar uma coalizão "o mais ampla possível" - uma indicação de que ele pretende estender a mão a partidos fora do campo da direita. Ele também declarou que seu principal objetivo será impedir o Irã de obter armas nucleares.
Em regiões que costumam votar mais na centro-esquerda, eleitores foram em massa às urnas. O número de árabes-israelenses também superou as expectativas - ontem, o patriarca da Igreja Ortodoxa em Jerusalém exortou fiéis a participarem das eleições. O índice de comparecimento teria alcançado 64% em comparação a 59% em 2009.
A grande surpresa da votação deve ser o partido centrista Yesh Atid, do popular jornalista Yair Lapid, um novato na política. A legenda, que põe ênfase no secularismo do Estado e em questões econômicas, provavelmente se tornará a segunda maior força política de Israel. Os trabalhistas - que por décadas governaram o país, mas perderam força nos últimos anos - mais do que duplicaram sua presença na Knesset.
Tido como a surpresa da campanha eleitoral, o partido de extrema direita Bayit Yehudi, do carismático empresário de tecnologia Naftali Bennett, conseguiu 12 cadeiras, menos do que o esperado. Também no campo da direita, o partido religioso sefardita Shas ficou com 12 assentos. O centrista Hatnuah, da ex-chanceler Tzipi Livni, obteve 7 cadeiras, assim como o esquerdista Meretz.
Governo. Pelo sistema parlamentarista israelense, o líder do partido com a maior bancada na Knesset (Assembleia) recebe do presidente - atualmente Shimon Peres - o direito de tentar formar uma coalizão. Se ele fracassar em atrair para a base governista ao menos 50% dos do Parlamento, o representante da segunda maior legenda busca forjar uma aliança - e assim sucessivamente. Caso nenhum partido tenha sucesso, novas eleições são convocadas. Em 2009, o Kadima foi eleito com a maior bancada, pela diferença de uma cadeira em relação ao Likud. Mas, como não conseguiu formar um governo, assumiu Netanyahu.
Surpreendidos pelo resultado da boca de urna, líderes trabalhistas afirmaram ao Haaretz que apoiariam um governo de centro sob a liderança de Lapid. A ex-chanceler Livni também disse que está disposta a unir força com a legenda centrista e com os trabalhistas. / REUTERS, AP e AFP


Fonte: Estadão 

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