Um ano depois, Japão para e presta homenagem aos mortos da tragédia


Mais de 16 mil morreram e 3.300 estão desaparecidos após terremoto seguido de tsunami

Do R7, com agências internacionais

JapãoCarlos Barria/Reuters
Às 14h46 (horário local, 2h46 de Brasília), milhões de japoneses lembraram em silêncio os mortos na tragédia, enquanto em vários municípios litorâneos da região nordeste os alarmes voltaram a soar como homenagem
                                     O Japão parou neste domingo (11) para lembrar com um minuto de silêncio as vítimas do terremoto e devastador tsunami que há um ano arrasaram o nordeste do país e causaram 16 mil mortes e deixaram 3.300 desaparecidos, além da pior crise nuclear dos últimos 25 anos. Foi observado, às 14h46 de domingo (2h46 da madrugada em Brasília), horário em que o terremoto aconteceu, um minuto de silêncio. Cerimônias em todo o país incluíram, ainda, badalar de sinos e muitas orações. 

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Também às 14h46, milhões de japoneses de vários municípios litorâneos da região nordeste afetados pelo abalo e ondas gigantes ouviram os alarmes voltarem a soar como homenagem às vítimas do desastre. São cidades que ainda estão em plena reconstrução.

Em Tóquio, o minuto de silêncio marcou o começo de um memorial do qual participam o imperador, Akihito, o primeiro-ministro, Yoshihiko Noda, e os membros de seu gabinete.




Um ano depois do terremoto que criou a pior crise no Japão desde a Segunda Guerra Mundial, o governo se comprometeu neste domingo a acelerar a reconstrução das áreas ainda arrasadas e a fazer do arquipélago um lugar mais seguro perante os desastres naturais.

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O aniversário da catástrofe foi lembrado em Tóquio com um memorial no Teatro Nacional do qual participou a cúpula do governo japonês e o imperador, Akihito, de 78 anos e em processo de recuperação após ser submetido em fevereiro a uma operação cardíaca.

No palco, um grande altar com a bandeira do Japão, crisântemos brancos e um monumento de madeira lembrava os mortos e desaparecidos.

Após um minuto de silêncio às 14h46 (horário local, 2h46 de Brasília), o momento no qual o terremoto de 9 graus na escala Richter fez tremer o Japão, o primeiro-ministro, Yoshihiko Noda, lembrou os mortos e quem continua desalojado (quase 335 mil pessoas) por causa da tragédia.

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Vestido de rigoroso luto, como o resto dos presentes, Noda se comprometeu a "reconstruir o mais rápido possível" a região afetada e também a "recuperar Fukushima", onde ainda continua a batalha para manter estabilizada a usina nuclear.

Perante cerca de 1.200 convidados entre ministros, parlamentares, diplomatas, representantes das regiões afetadas, jornalistas e familiares das vítimas, o primeiro-ministro pediu para transmitir as lições do desastre para as próximas gerações.

"Temos que fortalecer as medidas de prevenção, com base nesta experiência, o mais rápido possível", pediu Noda, que chegou ao poder em setembro depois que seu antecessor, Naoto Kan, renunciou por causa das críticas à sua gestão da crise. Também apelou para a unidade dos cidadãos e agradeceu a "cálida ajuda" dos outros países durante a crise, algo que também destacou o imperador, Akihito.

O idoso chefe do Trono do Crisântemo, com figura frágil e acompanhado de sua esposa, a imperatriz Michiko, fez um emotivo discurso no qual agradeceu "todos aqueles que trabalharam pelos afetados e para solucionar o problema nuclear".

Um ano depois do terremoto de magnitude 9,0 que desencadeou uma parede de água que atingiu a costa nordeste do Japão, o país ainda está lidando com os custos humano, econômico e político.

Ao longo da costa, a polícia e a guarda costeira, pressionados pelos familiares dos desaparecidos, ainda procuram em rios e praias por restos mortais, embora as chances de encontrá-los seja remota. Sem os corpos, milhares de pessoas estão em um estado de limbo emocional e legal.

Koyu Morishita, de 54 anos, perdeu seu pai de 84 anos, Tokusaburo, assim como a sua casa e a fábrica de peixes da família, no porto de Ofunato. O corpo de Tokusaburo ainda não foi encontrado.

- Eu choro um pouco, de vez em quando, mas as minhas verdadeiras lágrimas virão mais tarde, quando eu tiver tempo.

Este foi o desabafo de Morishita ao visitar um memorial para o seu pai, em um templo no alto do morro, acima de Ofunato, acompanhado por seu cachorro, Moku.

Como o resto do país, Ofunato fez um minuto de silêncio às 14h46 e novamente 33 minutos depois, quando uma parede de 23 metros de altura de água atingiu a cidade, matando 340 dos seus 41.100 habitantes e deixando 84 desaparecidos.

O povo japonês ganhou a admiração mundial pela sua serenidade, disciplina e resistência diante do desastre, enquanto suas empresas impressionaram pela velocidade com que conseguiram se recuperar, consertando as cadeias de fornecimento.

Como resultado, a economia tende a voltar aos níveis pré-desastre nos próximos meses, com a ajuda de 230 bilhões de dólares de fundos para a reconstrução, obtidos num raro acordo entre o governo e a oposição. Num artigo publicado no jornal Washington Post, primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, falou sobre a tragédia.

- Na história recente, o Japão conseguiu uma rápida expansão econômica proveniente das cinzas e desolação da Segunda Guerra Mundial, e nós construímos a economia mais eficiente do mundo em termos energéticos após a crise do petróleo. No aniversário do Grande Terremoto no Leste do Japão, nos lembramos que hoje enfrentamos um desafio de proporções semelhantes.

Imperador
Imperador Akihito (centro) chega para as homenagens às vítimas com a mulher Michiko e o ministro da Reconstrução Tatsuo Hirano (à dir.)


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